Entrevista coletiva esclarece dúvidas sobre inovações na área de diagnóstico por imagens desenvolvidas no HUSM

Acostumados a comparecem ao Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) para cobrir pautas da área assistencial (prestação de serviços ao usuário do Sistema Único de Saúde), a imprensa local foi convidada para uma entrevista coletiva onde o foco foi a pesquisa clínica desenvolvida no hospital. Um dos grupos de pesquisa do HUSM apresentou inovações no protocolo de exame da Tomografia Computadorizada, no processamento e imagens médicas e na impressão 3D de partes do corpo humano. Todas com objetivo de qualificar o diagnóstico de doenças e qualificar o planejamento pré-operatório do paciente. O encontro ocorreu na manhã de sexta-feira no Auditório Gulerpe.

A primeira boa notícia apresentada pelo idealizador do protocolo e professor do Curso de odontologia da UFSM, Gustavo Dotto, foi a redução da dose de radiação usada no exame de Tomografia Multi Slice. Estudos desenvolvidos nos últimos três anos, permitiram a mudança no protocolo (forma como o exame é feito). Ao reprogramar o equipamento, a dose de radiação usada foi reduzida em 20 vezes, mantendo a mesma qualidade na imagem e diminuindo riscos para o paciente – uma vez que a radiação é cumulativa. Atualmente, todos os pacientes que necessitam de tomografia na região da cabeça e pescoço no hospital já realizam o exame com a dose reduzida.

Ao todo, ao longo desses três anos, mais de 400 pessoas foram beneficiadas pelo novo protocolo, que está sendo chamado de CTdoBem.  O grupo já estuda uma forma e realizou alguns testes com sucesso para que o mesmo exame seja feito em outras partes do corpo.

A segunda conquista se deu graças à parceria com Grupo de Computação Aplicada em Saúde (CA+SA). O programa de computador PACS transforma as imagens bidimensionais capturadas no exame de tomografia em imagens tridimensionais. O software foi desenvolvido pela Empresa Animati (criada na incubadora tecnológica da UFSM) e cedido para o HUSM.  O que dá mais precisão para o diagnóstico e o laudo médico, uma vez que o profissional consegue visualizar na tela do computador o órgão em tamanho real. O laboratório que analisa e faz o pós-processamento dessas imagens se chama SPIM (Serviço de Processamento de Imagens Médicas) e está lotado na Unidade de Diagnóstico por Imagem do hospital.

A terceira novidade dessa pesquisa foi a incorporação de uma impressora 3D para reprodução de partes do corpo humano, com o objetivo de facilitar o planejamento pré-operatório de casos mais complicados nas especialidades de traumatologia, cabeça e pescoço, bucomaxilofacial e cardiovascular.

As primeiras impressões tridimensionais ocorreram a pedido do Serviço de Traumatologia e só foram viabilizadas graças ao apoio do Tecnoparque de Santa Maria que cedeu o uso da sua impressora 3D em horários não operacionais, inclusive aos finais de semana.

O médico Humberto Palma afirma que a impressão 3D representa um grande ganho do ponto de vista do planejamento pré-operatório. Palma recordou o caso de um jovem que teve fratura no fêmur, passou por uma cirurgia para colocação de placa e não se adaptou.

– Conversando com o professor Gustavo, resolvemos fazer o protótipo do fêmur na impressora. Com a peça pronta, a placa foi feita de forma personalizada, passou por um torno, fizemos a esterilização e, na cirurgia, substituímos pela anterior do paciente – recorda o médico.

Sem o protótipo do fêmur, a placa teria que ser moldada durante a cirurgia, o que levaria entre 40 minutos e 1h.

– Para cirurgia de trauma em ossos longos (tíbia e fêmur, por exemplo) essa tecnologia além de ser barata, diminui o tempo cirúrgico significativamente. Além disso, representa menor manipulação de tecidos. A recuperação será mais rápida e o paciente irá voltar mais precocemente as atividades – diz Palma.

No próximo mês, o HUSM deverá estar recebendo as duas primeiras impressoras próprias, compradas ao custo de R$ 22 mil. A vantagem em relação à impressora cedida pelo Tecnoparque é que essas ficarão para uso dentro do hospital e terão uma área de impressão maior. O que vai possibilitar imprimir peças maiores em menor tempo.

Pesquisadores do HUSM comemoram as inovações –

– A primeira inovação – tomografia de baixa dose – já está pronta e em uso. O processamento de imagem também. O terceiro produto, que é as impressões 3D já iniciou, mas vai precisar mais um tempo para ser incorporada a rotina do hospital – afirma Dotto.

Segundo o chefe do Setor de Pesquisa e Inovação Tecnológica do HUSM, Alexandre Vargas Schwarzbold, o projeto é promissor. Contudo, é preciso ficar claro que a implantação dele como um todo vai ocorrer em partes.

– Do ponto de vista científico, ele é extremamente factível com tecnologia de baixo custo, mas que vai ser introduzido de forma paulatina na assistência – esclarece.

Para a chefe do Setor de Gestão do Ensino, Profª. Drª. Themis Maria Kessler, o projeto mostra bem a característica e natureza do hospital universitário:

– Que é de agregar atividades de formação, uma vez que o projeto envolve alunos de pós-graduação, da residência multiprofissional, ao mesmo tempo em que desenvolve pesquisa e produção de conhecimento resultante de uma atuação multiprofissional.

Redação: Mariangela Recchia Correa | EBESERH

Fonte: http://www.ebserh.gov.br/web/husm-ufsm/noticia-destaque/-/asset_publisher/Nm3SIn4Jbrre/content/id/827884/2016-09-entrevista-coletiva-esclarece-duvidas-sobre-inovacoes-na-area-de-diagnostico-por-imagens-desenvolvidas-no-husm